NOSSA HISTÓRIA

FORMAÇÃO DO COLETIVO

O coletivo se consolidou formalmente através de um acordo bilateral entre duas universidades (a Universidade Nacional de Santiago del Estero e a Universidade de Tolima), ao qual se juntaram as demais universidades membros. Isso é o resultado de quatro anos de trabalho, que começou em 2016, com a iniciativa da Universidade Pontifícia Bolivariana e inspirado no trabalho de mais de 15 anos de EArte Brasil (disponível em: http://EArte.net/).

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA AMÉRICA LATINA E NO CARIBE

Para justificar a pertinência e importância do Coletivo e seus objetivos, é necessário lembrar um pouco da história da educação ambiental. A América Latina tem uma trajetória de mais de 30 anos de experiência em educação ambiental, com inúmeras reflexões, aportes teóricos e trabalhos de campo em todos os níveis educacionais ao longo e largo do continente. Esta região foi a única que conseguiu implementar as sugestões das Nações Unidas para criar uma Rede de Formação Ambiental, consolidada em 1982 (Sáenz, 2012). O trabalho realizado a partir daqui foi fundamental para formar, promover e apoiar as iniciativas nacionais em educação ambiental (Corbetta, 2019; Eschenhagen, 2016; Foladori e González Gaudiano, 2001).

A educação ambiental ao longo dessas décadas se consolidou como um campo de conhecimento importante e as universidades se mostram um espaço importante de produção e reprodução desse conhecimento. Ao mesmo tempo, para que um campo de conhecimento possa se fortalecer e melhorar, são necessárias reflexões críticas; no entanto, estas não poderão ser realizadas se não houver uma sistematização mínima do que foi produzido. Daí, ao explorar o trabalho realizado pelo Brasil, que desde o ano 2000 vem recolhendo e sistematizando em uma base de dados as teses de mestrado e doutorado que tratam da relação entre processos formativos e ambiente, os aportes e avanços investigativos, resulta ser um exemplo perfeito a seguir (http://EArte.net/). Ou seja, para que a América Latina possa continuar fortalecendo sua educação ambiental, um insumo indispensável será ter uma base de dados especializada para fazer um acompanhamento do conhecimento produzido, bem como para realizar meta-pesquisas.

Daí então, que o exemplo do Brasil inspirou a formação de um grupo seminal latino-americano para ampliar essa base de dados já existente para outros países. Assim, em 2016, no âmbito do Seminário Latino-Americano de Pesquisa, organizado pela Universidade Pontifícia Bolivariana, com o apoio do PNUMA, foram convidados pesquisadores comprometidos de várias universidades de Cuba, México, Chile, Argentina e Colômbia, e, claro, do Brasil, para iniciar este projeto.

PRIMEIROS PASSOS

O primeiro passo consistiu em realizar um seminário internacional denominado "A produção de conhecimento na universidade: metodologias e políticas de investigação", para socializar e apresentar a trajetória do trabalho já realizado pelo Brasil, bem como tematizar e refletir teoricamente sobre o que consiste um estado da arte. Este exercício foi muito importante para acordar e esclarecer uma metodologia em comum, baseada já na trajetória e experiência do Brasil, assim como desenhar uma rota de trabalho para todos os grupos das diferentes universidades. Do seminário saiu um livro resultado de pesquisa no qual foram publicados dois capítulos sobre o que é um estado da arte (Eschenhagen et al., 2018).

Nos seus primórdios – e isso é muito importante de se apontar – o trabalho realizado foi produto do interesse, da iniciativa e da vontade de todos os pesquisadores, em seus tempos “livres”, pois era um trabalho ainda não formalizado em projetos de pesquisa, e muito menos ainda reconhecido pelas respectivas universidades em suas jornadas de trabalho. Mas na medida em que começaram a se concretizar as buscas e a especificar as pesquisas e a vincular teses de estudantes, viu-se cada vez mais a necessidade de propor projetos de pesquisa para obter os apoios necessários das universidades, os quais, em sua maioria, ainda consistem apenas em tempos de trabalho, e não tanto em apoios financeiros.

Assim começaram a emergir os primeiros resultados do trabalho de busca de teses e também se viu a necessidade de um segundo encontro que teve lugar em abril de 2019 na Universidade do Tolima (Colômbia) que teve dois objetivos. O primeiro foi socializar os resultados preliminares e, com isso, promover um espaço de reflexão sobre educação ambiental superior no Seminário de Educação Ambiental nas universidades latino-americanas: desafios, perspectivas e apostas organizadas pelo Coletivo. Espaço que foi aproveitado para dar a conhecer o Coletivo e apresentar seus trabalhos, bem como convidar um público mais amplo a compartilhar suas pesquisas em torno de quatro eixos de reflexão identificados pelo Coletivo através dos resultados, como necessários para fortalecer o próprio campo da educação ambiental superior. Os eixos eram: 1) desafios da pesquisa em educação ambiental, 2) tensões no campo da educação ambiental, 3) fundamentação teórica da educação ambiental superior e 4) ambientalização da educação superior. O segundo objetivo foi realizar um trabalho interno intensivo, a modo de oficina, para consolidar o trabalho investigativo de todo o time regional. Deste seminário saiu um livro (já em impressão), intitulado Fundamentos e reflexões teóricas para pensar e propor uma educação ambiental superior.

Nessa etapa do trabalho de pesquisa coletivo, finalmente se tornou iminente a necessidade de uma formalização oficial, como Coletivo propriamente dito, e surge a Rede Coletivo de Pesquisadores em Educação Ambiental Superior na América Latina e no Caribe – EArte ALyC, a qual foi concretizada através da assinatura do acordo de vontades entre as diferentes universidades.